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quarta-feira, 1 de maio de 2019

Auto-obsessão

Allan Kardec falou sobre auto-obsessão?

Revista Espírita 1862:
Releva dizer ainda que a gente muitas vezes responsabiliza os Espíritos estranhos por maldades de que não são responsáveis. Certos estados mórbidos e certas aberrações, que são atribuídas a uma causa oculta, são, por vezes, devidas exclusivamente ao Espírito do indivíduo. As contrariedades frequentes concentradas em si próprio, os sofrimentos amorosos, principalmente, tem levado ao cometimento de muitos atos excêntricos, que erradamente são levados à conta de obsessão. Muitas vezes a criatura é seu próprio obsessor.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Pés grandes

Como quantificar o grau de estresse ou de tormentos que a sociedade nos causa com o trânsito, a violência, o clima, a competição, etc., e qual é o percentual pessoal de problematizar a vida? Trocando em miúdos, é a sociedade complexa que nos atormenta, ou nós nos atormentamos com a sociedade? Obviamente as duas partes tem a sua quota de elementos afligentes. Como não podemos mudar o mundo, podemos mudar a nós mesmos, superando os melindres, as crenças falsas, a baixa autoestima, etc.
Um rapaz procurou a psicoterapia angustiado, triste, não queria mais sair de casa, ficava trancado em seu quarto o dia todo escutando música. Os pais não sabiam mais o que fazer, pensavam que ele estivesse usando drogas ou tinha alguma “doença mental.” Na terapia ele deu voltas para falar do assunto que o afligia: os seus pés! Isso mesmo, os seus pés. Achava que seus pés eram grandes demais, tinha vergonha que as pessoas olhassem para eles. Usava calças largas ou a boca da calça mais larga para cobrir seus pés. Virou uma paranoia, ficava monitorando os olhares dos outros, via o que não existia.
Essa cisma começou no ensino fundamental, onde é comum a garotada colocar apelidos uns nos outros. Qualquer coisa diferente em um colega é motivo para gozação: gordo, magro, alto, baixo, mãos grandes ou pequenas, nariz grande ou pequeno, pés grandes ou pequenos, enfim, tudo é motivo para chacota. Meu cliente não tinha os pés enormes, pela altura dele era para calçar 42, e calçava 44, quase imperceptível por sua altura. O apelido de pezão pegou mais pelo incomodo do rapaz, do que pelo tamanho do pé. O sentimento de inferioridade que alimentava contribuiu para acatar as gozações como verdadeiras. Quando os amigos tiravam sarro, ele ficava vermelho, paralisado, se sentindo pior como pessoa.
Quantos homens se sentem inadequados por causa da barriga, da calvície, da profissão, da altura, etc., evitando o convívio social ou até um relacionamento afetivo porque se acham inadequados?
As mulheres têm áreas pontuais de queixa: cabelos, seios, bumbum, pernas, rugas, celulites e barriga.

Não são estas condições em si que causam o sofrimento ou a falta de aceitação, mas o que se pensa delas. Uma pessoa “resolvida”, com boa autoestima e autoconfiança não se limita, nem se paralisa se suas formas não forem perfeitas. Por outro lado, uma criatura “perfeita nas formas”, com baixa autoestima, insegura vai arranjar motivos para ser infeliz. Aqui cabe ponderar também o nível de evolução de cada pessoa.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Rótulo de Espírita


No atual estágio de evolução do Planeta, as velhas fórmulas hipócritas de se dizer religioso e garantir um olhar social de honradez não funcionam mais. O discurso e a aparência de honrado, bondoso, ético não engana mais ninguém, esse subterfúgio esgotou-se.
Conhecer o Espiritismo, fazer curso, trabalhar na seara espírita não é garantia de mudança da personalidade, ou, usando uma metáfora apropriada, não se passa de homem velho para homem novo. Algumas pessoas se contentam com o rótulo de Espírita, não se importando em continuar sendo o homem velho. Justificam que ainda não é possível mudar velhos hábitos. Respaldam seus argumentos no padrão social doentio, que inclui seus parentes e amigos, desse modo, se sentindo justificados diante do consenso social. Os extremistas ficam nas polaridades: ou querem se santificar de imediato, ou se permite ficar “como sempre foi”, não conseguem pegar o caminho do meio, ponderando que a mudança é um processo gradual. A propósito, como consta no Evangelho Segundo o Espiritismo: 
Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para dominar suas más inclinações. cap. 17, item 4
O Espiritismo oferece as condições inigualáveis para a mudança pessoal e social, sensata, respeitando o grau evolutivo de cada qual, portanto não é o Espiritismo que não possui os recursos para nos ajudar na transformação pessoal.
Com essa postura incoerente, narcisista, retrógrada é natural que a pessoa fique obsediada, porque já se auto-obsedia, assimila energias doentias do seu ambiente, sai do corpo durante o sono e vai para regiões inferiores, atrai pessoas perigosas, favorece acidentes de percurso...
Finalizando as reflexões, no livro Mediunidade: desafios e bênção, p. 27 Manoel P. de Miranda disserta:

Travaram contato com a revelação espírita, participaram dos memoráveis eventos espirituais do intercâmbio mediúnico, porém não modificaram a visão sobre si mesmos ou a sua conduta, tornando-se parasitas no grupo social ou belas personalidades aplaudidas nos cenários do mundo, mantendo a individualidade atormentada e venal, que não modificou a forma de ser ou de comportar-se.