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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Derrotismo


No livro Prazer de Viver, Ermance Dufaux coloca que “É lastimável o contingente de seguidores do Cristo tombados no derrotismo por conta de crenças que estabelecem uma vida psicológica atormentada.” Realmente é contraditório esse disparate entre a proposta libertadora de Jesus e o nosso derrotismo advindo de crenças absurdas que criamos ou copiamos dos outros. Ermance Dufaux cita algumas dessas crenças:

“Almas com conhecimento bastante para não se deprimir”
“Criaturas que só podem acertar”
“Pessoas que devem agradar a todos”
“Espíritos que não podem perder tempo”
“devem ser rápidos”

Essas frases ou propostas não fazem mal, podem ser bem utilizadas na vida se a pessoa discerne sua aplicação, respeitando os limites e possibilidades. Porém, o neurótico faz uma leitura distorcida, exagerada e inflexível. Por conta dos tormentos pessoais, como por exemplo:
ü perfeccionismo
ü sentimento de inferioridade
ü baixa estima
ü insegurança
ü culpa, etc.,

O indivíduo tenta conformar ou enquadrar sua vida dentro de tais conceitos ou crenças. Se ele coloca na cabeça que tem que agradar a todos, ele abraça essa meta de forma inflexível sem avaliar se seu interlocutor é uma pessoa sensata que sabe avaliar uma amizade ou a afetividade. Ele não consegue discernir tanto o limite pessoal do que pode e não pode fazer, como a capacidade do outro de reconhecer e recepcionar a simpatia que lhe é dada. Por causa disso, sua tentativa de agradar é frustrada, não é reconhecida, caindo em generalizações descabidas: nunca mais vou fazer o bem para ninguém, vou deixar de ser bobo e querer agradas os outros, e assim por diante. O problema não é do outro, é dele! Ele não sabe a medida das coisas,
É hora de fazermos uma revisão e reciclagem de nossas crenças obsoletas e jogar fora o que não serve. Precisamos de crenças/convicções éticas, libertadoras, esperançosas, otimistas para melhor aproveitar as metas libertadoras do Cristo.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Seus cabelos são sua identidade?

Você conhece muitas mulheres que estão de bem com os seus cabelos? É raro, não é? Para algumas mulheres o cabelo é quase a identidade: meus cabelos são lisos, logo, existo! Felizmente, muitas já se libertaram dessa escravidão.
Foi com essa idéia da identidade-cabelo que uma garota procurou a psicoterapia, ela já tinha as respostas para seu insucesso com os rapazes: o cabelo! Ela já havia feito de tudo com seus cabelos: primeiro longos e depois curtos, combinando com as cores preta, loira, vermelho... E, nada! Ela ficou intrigada, como pode já fiz de tudo com os meus cabelos!
Ela não tinha tentando ainda mexer em suas crenças ou convicções sobre sua identidade e cabelos. Assim como a anoréxica vê no espelho uma imagem gorda, minha cliente só via fragmentos de sua imagem corporal: os cabelos. A imagem corporal não estava boa porque havia conflitos na autoimagem! Isso mesmo, por dentro ela não estava bem, estava com a autoestima baixa, se sentia sem importância, se achava desinteressante. Esse estado interior refletia nas suas idéias, nas suas emoções, no seu comportamento e na sua imagem corporal, pronto o kit “patinho feio” está formado. Ela tinha que desaguar esse conflito em alguma coisa, a onde? No cabelo! Como a ditadura da moda e das indústrias de cosméticos dita as regras do que é bonito e aceitável, ela foi fisgada. Quando ela trabalhou seus conflitos internos, recuperou a autoimagem e a seguir a imagem corporal. O coitado do cabelo deixou de ser massacrado, com tantas tintas e cortes, recuperou seu papel como apenas uma parte na imagem corporal. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ler sempre! - Espiritualidade Essencial - Roger Walsh



Estamos apenas meio adultos e meio acordados
Os psicólogos concordam agora que o desenvolvimento humano passa por três estágios importantes: pré-convencional, convencional e pós-convencional, também conhecidos como pré-pessoal, pessoal e transpessoal. Nascemos desnorteados e insociáveis no estágio pré-pessoal e pré-convencional, sem sentido coerente de nossa condição de pessoa e sem idéia das convenções da sociedade. Somos em seguida gradualmente aculturados, informalmente na família, e formalmente no sistema educacional.
Dessa forma, somos apresentados - e hipnotizados - à visão convencional das coisas. Na maior parte, chegamos a ver e agir conforme o sugerido pela sociedade. Tendemos a presumir que as crenças de nossa cultura são válidas, que a moral é adequada, e os valores, satisfatórios. Também aceitamos sua visão do mundo - sua representação do universo e de nós próprios. Amadurecemos para o estágio convenciona/pessoal e nos entrincheiramos com firmeza em sua visão da realidade. Felizmente, há muita coisa valiosa na visão convencional do mundo.

Através de séculos e sociedades, contudo, sábios lamentam as limitações do desenvolvimento convencional. O convencionalismo está associado à percepção nublada e modos de vida inautênticos e insatisfatórios. Na Ásia, essa percepção distorcida é descrita como maya, uma ilusão ou sonho.
As tradições ocidentais compõem um diagnóstico semelhante. Tanto o Islamismo quanto o Cristianismo descrevem nossa visão como velada, enquanto filósofos existencialistas reclamam que a vida convencional é superficial, não reflexiva. Alguns psicólogos lamentam que vivemos em um "transe de consenso", ou "hipnose compartilhada", e que em seu pior momento, como nas guerras bárbaras ou no genocídio em massa, isso se toma uma "psicose coletiva". William James, com freqüência considerado o maior psicólogo e filósofo americano, resumiu nossa condição em sua forma pungente de costume:
Comparados com o que devemos ser, estamos apenas meio acordados. Nosso fogo é umedecido, nossa brisa é diminuída; usamos uma pequena parte apenas de nossos recursos mentais e físicos.
Essas visões do Oriente e do Ocidente, da religião, filosofia e psicologia convergem para uma conclusão surpreendente de enorme importância. Estamos apenas meio adultos e meio acordados. O desenvolvimento seguiu do pré-convencional para o convencional, mas depois foi pulverizado até a parada em um transe semiconsciente. Em geral, não reconhecemos esse transe por várias razões: somos hipnotizados desde a infância, todos compartilhamos isso, e vivemos no maior de todos os cultos, isto é, cultura. Grande parte das aflições de nossas vidas, o tumulto em nossas relações, e as tragédias do mundo começam a fazer sentido quando esses fatos são apreciados.

Enquanto a sociedade apoia o desenvolvimento do pré-convencional para o convencional, em geral negligencia ou até resiste com violência ao desenvolvimento adicional. Por quê? Porque a sabedoria pós-convencional pode minar seriamente as suposições e os modos de vida convencionais, os inumeráveis mitos compartilhados (como aquele que diz que o dinheiro garante a felicidade ou que nossa nação é superior) que anestesiam os indivíduos e a sociedade e mantêm o status quo social. Embora esses mitos confortem, o fazem a custo considerável. A pessoa que busca crescer além do costumeiro nível convencional não pode esperar grande apoio da sociedade.
Crescer significa também superar nossas resistências pessoais. É surpreendente, mas tememos nosso potencial de grandeza quase tanto quanto nossa fraqueza atual. Uma razão para isso é que nos preocupamos em não parecer vaidosos, inflados ou pomposos. Tememos também que se crescermos ficaremos muito diferentes. Quem seríamos nós então, que faríamos, que novas responsabilidades teríamos que enfrentar? Tudo seria novo e estranho, pois o crescimento verdadeiro envolve o movimento do conhecido para o desconhecido. Teríamos que abandonar os velhos mitos familiares e as histórias sobre o que somos, pois, como reconheceu a psicóloga Jean Houston, temos que:

morrer para uma história, um mito, a fim de renascer para um maior...O desenvolvimento envolve o abandono de uma história menor pelo despertar para uma maior.