domingo, 5 de junho de 2016
sexta-feira, 3 de junho de 2016
Tocar e beijar
Dar as mãos, tocar o ombro, dar um abraço, dar um
beijo, é tão complicado assim? Sim e não. Para a turma do “não é complicado” é
quase despercebido esse contato, porque é tão natural que a pessoa não fica
ensaiando: “dou a mão ou não dou?”, “beijo ou não beijo?”, acontece.
Para o grupo do “é complicado”, exige muito
esforço carregado de dúvidas com relação ao que o outro pensa dele:
º será
que eu vou incomodar?
º será
que a pessoa vai pensar mal?
º será
que ela pensa que eu quero algo a mais?
Também tem a preocupação de o outro aproveitar dele
- do neurótico:
º me
incomoda ser tocado
º ele
quer se aproveitar de mim
º ele
quer mais do que um simples abraço
Aqui a pessoa tanto pode achar que vai incomodar
os outros, como se sentir sendo invadida. Em ambas as situações a paranoia é do
próprio indivíduo que projeta nos outros seus tormentos pessoais. Algumas
pessoas quando são abraçadas parece uma geladeira, e reclamam: “eu não gosto dessa
pegação!” Esta pessoa não sabe distinguir em que área do afeto foi dirigido o
abraço: para o sexo, para a amizade ou para o acolhimento materno/fraterno! Uma
vez escutei de uma pessoa culta que homem e mulher quando se abraçam estão
querendo sexo! Para ele não existe amizade e afeto, só sexo. Os conflitos nessa
área têm várias fontes:
º pais
que não tem contato entre si
º pais
que evitam tocar os filhos
º experiências
de abuso
º traumas
no relacionamento afetivo e sexual
Os efeitos dessas relações inamistosas podem ter
vários desdobramentos na afetividade pessoal, como a pessoa não aceitar um
abraço porque se acha desprezível, um efeito oposto é o sujeito se tornar
pegajoso por causa da carência, outros associam o toque ao sexo por isso evitam
o contato, por que se excitam. É comum encontrar pessoas que conceituam o sexo
como sujo, vergonhoso, pecaminoso, indecente. Estas colocações estão ligadas a
interpretações distorcidas da religião e do moralismo dos pais. Por conta
desses extravios muita gente prefere reprimir sua afetividade e sexualidade
para não sofrer, e vivem atormentados. Outras pessoas para romper com o
tolhimento que foram condicionados extrapolam se envolvendo em relacionamentos
problemáticos. Há aqueles que negam a afetividade e se entregam ao sexo
aberrante.
terça-feira, 24 de maio de 2016
O que os outros vão pensar de mim?
Uma das frases mais ouvidas no consultório é esta:
o que os outros vão pensar de mim? Eu costumo devolver: os outros sempre vão pensar!
Se você for correto, vão pensar; se você for desonesto, vão pensar; se você for
bom, vão pensar; se você for mal, vão pensar; se você fizer muitas coisas, vão
pensar; se você não fizer nada, vão pensar! Falaram das grandes personalidades
do progresso e das maldosas, você vai escapar?
O que mais incomoda, o que elas pensam de você ou
o que você pensa que elas pensam de você? Estar muito preocupado com a opinião
dos outros não é sinal de conflitos pessoais? O que os outros pensam de você é
mais importante do que sua autoavaliação?
As pessoas negativas, pessimistas e conflitadas
interpretam tudo que se refere a elas como pessoal, ofensivo e persecutório, elas
não aproveitam nada do que vem dos outros, que não deixam de ser seus
professores indiretos. O neurótico justifica este posicionamento relacionando
as várias vezes que foi ofendido, ressaltando o lado ruim das pessoas. Os
indivíduos mais maduros, sempre estão aprendendo, veem nos “adversários”
instrutores, como ensina o Espiritismo. É claro que há pessoas maldosas que
precisamos identificar e nos guardar para preservar a vida e a integridade. No
entanto, a pessoa madura não vê ameaça em tudo e em todos sua capacidade de discernir
é mais ampla, não é unilateral. Fazendo esta distinção entre a pessoa neurótica
e a madura, lembrei do ensinamento de Jesus: “Pois àquele que tem lhe será
dado, e terá com abundância; mas àquele que não tem até o que tem será tirado
dele.”1 A pessoa madura aproveita melhor sua existência, por isso
tem capacidade de obter mais aprendizados existenciais do que o neurótico que
fica preso em seus tormentos sem aproveitar melhor as ofertas da vida.
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segunda-feira, 16 de maio de 2016
Surto ou obsessão espiritual?
Na sessão de psicoterapia ele pedia para não
fechar a porta da sala, para não se sentir vulnerável. Mal conseguia falar,
respiração ofegante, assustado, dizia-se revoltado, mas não explicava o motivo.
Com vinte minutos de sessão, já queria ir embora, ele não conseguia ficar os
cinquenta minutos. Ele dizia que tinha algo muito importante para me falar, mas
não conseguia. Depois de algumas sessões, com muita ansiedade e falando pouco,
disse que em uma vida anterior eu o teria prejudicado, levando, em seguida, a
morte, por isso me procurou: para se vingar! Fiquei sem ação, o que? Perguntei:
- Como você sabe disso?
- Eu vi isso nos meus sonhos – disse ele!
Como psicólogo eu diria tratar-se de fantasias
dele, o sonho pode ser reflexos das preocupações do dia, desejos não realizados,
mas como Espírita sabemos que podem ser retrocognições, obsessão espiritual
(pesadelo), sonhos premonitórios e encontros espirituais. Como saber? Eu
não tenho percepções parapsíquicas ou mediunidade ostensiva para alcançar a
veracidade dos fatos, no entanto um misto de intuição (percepção pessoal) e de
inspiração (influência de meu mentor) indicava não ser verdadeiro o que o cliente
dizia. Nem sempre é possível desvendar o passado para segurança dos envolvidos,
a fim de não ficarem fantasiando coisas e caírem em auto-obsessão e também na
obsessão espiritual, onde o obsessor aproveita para incrementar mais as nossas
ilusões. Não que eu seja contra a informação mediúnica quando é útil ao
indivíduo, ou através da retrocognição que é um fenômeno anímico, humano,
natural que estamos desenvolvendo no processo evolutivo. Sou a favor, mas
precisamos separar a curiosidade doentia da informação útil, que vai ser
proveitosa para o crescimento do sujeito.
Agora compreendia o motivo de sua angústia e
embaraço em falar comigo. Pessoalmente nada sentia em relação a ele, nem
simpatia, nem aversão, que são indicadores de vínculos.
O cliente não apresentava nenhum comprometimento
psíquico grave, era um pouco isolado, trabalhava, havia estudado. Não parecia
ser um surto, tinha coerência em seu raciocínio quando conversávamos sobre
outras coisas. Cumpria o contrato terapêutico: dia e horário, pagamento, não
ligava desnecessariamente fora da sessão... Parecia ser uma obsessão
espiritual, havia momentos que ele tinha o olhar fixo em mim com um misto de
raiva e cordialidade!
Por conta da ameaça que me fez, da vingança, tive
que cancelar o tratamento. Por vias das dúvidas, encaminhei-o a um psiquiatra
para fazer uma avaliação, e, ao mesmo tempo, indiquei que procurasse um Centro Espírita
para verificar se estava obsediado.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Nunca se case!
Qual é a força da sua fala, até onde ela pode
chegar? Você acha que o que diz evapora no ar sem tocar ninguém? Quem é o seu
interlocutor, alguém vivido que sabe se proteger ou uma criança indefesa?
Imagine o cenário de um ambiente familiar, os
filhos brincando ou fazendo seus deveres escolares, e de fundo a mãe reclamando
aqui e ali do marido que vai chegar. No meio da reclamação ela afirma aos
filhos: “nunca se casem para não levarem essa vida de inferno que levo!”, ou “o
amor não existe, ninguém nunca vai te amar”. Quando não é a queixa do
casamento, é a lamentação da vida: “a vida só traz sofrimento”, e arremata
dizendo aos filhos quando estão brincando e fazendo bagunça: “vocês ainda vão
me matar de trabalhar”. Não bastasse o terrorismo da mãe desequilibrada, o pai estressado
chega do trabalho, mal cumprimenta a esposa e os filhos e despeja sua lista de
reclamações: “as empresas só nos exploram!”, “o patrão faz todo mundo de
escravo!”, “nunca confie em ninguém!” Para este casal tais colocações/reclamações
soa como natural, falar do que lhes desagrada. Na vida de relação reclamar faz
parte da pauta do dia a dia de muita gente, está tão incorporada nos
relacionamentos interpessoais que não se percebe sua nocividade.
As atitudes dos pais estão sugerindo, induzindo,
exemplificando como é a vida e o que os filhos vão encontrar pela frente. A mãe
está ensinando que o casamento não é um bom negócio e é fonte de sofrimento, o
pai lecionando que o trabalho é motivo de exploração e escravização. Estas
imagens vão se assomar a mente dos filhos servindo de paradigma – como a vida é
e como devem se comportar. A maior ou menor aceitação dessas sugestões
dependerá do nível evolutivo dos filhos, que com o filtro do discernimento vão
perscrutar o que recebem dos pais guardando ou rejeitando o que é bom e o que é
ruim. Isso mostra que os filhos não estão à mercê dos pais ou da sociedade, mas
das suas conquistas evolutivas ou da falta delas.
Do
ponto de vista da sociedade materialista, a esposa infortunada com o seu
casamento e o marido irrealizado em sua profissão são vítimas do azar, do
destino, por isso eles se acham no direito de reclamar, por que estão em uma
situação não escolhida. Na perspectiva do Espiritismo que supera essa analise
estreita, casualista, o casal está incurso na Lei de Causa e Efeito, portanto,
quando a esposa/mãe reclama aos filhos da instituição “casamento”, como algo
ruim que traz sofrimento, ela está atribuindo valores pessoais, particulares, a
algo abstrato comum a todas as pessoas. Ela deveria dar mais precisão as suas colocações: “o meu casamento é difícil”, “a minha prova com o pai de vocês é árdua”. O mesmo se aplica ao esposo/pai, se ele tem uma
subprofissão, no qual não se realiza, é provável que seja uma prova pessoal e
não comum a todos os trabalhadores. Ainda outra informação que o Espiritismo
esclarece, é que se os filhos não têm provas difíceis no casamento e na
profissão, eles não vão passar pelos sofrimentos que os pais passam como supõe
a mãe ao “preveni-los” com suas reclamações, exceto
se neurotizarem a relação e fizerem escolhas erradas.
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sexta-feira, 6 de maio de 2016
Pés grandes
Como quantificar o grau de estresse ou de
tormentos que a sociedade nos causa com o trânsito, a violência, o clima, a
competição, etc., e qual é o percentual pessoal de problematizar a vida?
Trocando em miúdos, é a sociedade complexa que nos atormenta, ou nós nos
atormentamos com a sociedade? Obviamente as duas partes tem a sua quota de
elementos afligentes. Como não
podemos mudar o mundo, podemos mudar a nós mesmos, superando os melindres, as
crenças falsas, a baixa autoestima, etc.
Um rapaz procurou a psicoterapia angustiado,
triste, não queria mais sair de casa, ficava trancado em seu quarto o dia todo
escutando música. Os pais não sabiam mais o que fazer, pensavam que ele
estivesse usando drogas ou tinha alguma “doença mental.” Na terapia ele deu
voltas para falar do assunto que o afligia: os seus pés! Isso mesmo, os seus pés. Achava que seus pés eram grandes
demais, tinha vergonha que as pessoas olhassem para eles. Usava calças largas
ou a boca da calça mais larga para cobrir seus pés. Virou uma paranoia, ficava
monitorando os olhares dos outros, via o que não existia.
Essa cisma começou no ensino fundamental, onde é
comum a garotada colocar apelidos uns nos outros. Qualquer coisa diferente em
um colega é motivo para gozação: gordo, magro, alto, baixo, mãos grandes ou
pequenas, nariz grande ou pequeno, pés grandes ou pequenos, enfim, tudo é
motivo para chacota. Meu cliente não tinha os pés enormes, pela altura dele era
para calçar 42, e calçava 44, quase imperceptível por sua altura. O apelido de pezão pegou mais pelo incomodo do rapaz,
do que pelo tamanho do pé. O sentimento de inferioridade que alimentava
contribuiu para acatar as gozações como verdadeiras. Quando os amigos tiravam
sarro, ele ficava vermelho, paralisado, se sentindo pior como pessoa.
Quantos homens se sentem inadequados por causa da
barriga, da calvície, da profissão, da altura, etc., evitando o convívio social
ou até um relacionamento afetivo porque se acham inadequados?
As mulheres têm áreas pontuais de queixa: cabelos,
seios, bumbum, pernas, rugas, celulites e barriga.
Não são estas condições em si que causam o sofrimento
ou a falta de aceitação, mas o que se pensa delas. Uma pessoa “resolvida”, com
boa autoestima e autoconfiança não se limita, nem se paralisa se suas formas
não forem perfeitas. Por outro lado, uma criatura “perfeita nas formas”, com
baixa autoestima, insegura vai arranjar motivos para ser infeliz. Aqui cabe
ponderar também o nível de evolução de cada pessoa.
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Retrocognição - lembranças de vidas passadas
Pensa numa vida marcada por dificuldades e
pobreza, assim foi a vida de nosso personagem neste capítulo cognominado João.
Desde a infância experimentou várias carências, dentre elas a mais importante a
do afeto materno. Eram muitos filhos para pouco colo, além do excesso de
trabalho dos pais que tinham que cuidar da roça. Faltavam roupas, comida só o
necessário, brinquedos inexistia... João também pegava no batente, ajudava os
pais nos vários afazeres. Nos momentos de descanso ficava no seu canto sem
contato com ninguém, era difícil se enturmar. Essa pobreza perpassou a
adolescência e foi até a maioridade, sempre com muito sacrifício. Na maioridade
conheceu uma mulher, se casou e logo veio a separação. Conheceu outra
companheira que estão juntos há mais de 20 anos. Na área profissional nunca
passou de uma subprofissão, ganhando o necessário para a sobrevivência.
Apareceu a oportunidade de fazer um curso técnico, mas a falta de dinheiro e de
tempo não lhe permitiram.
Apesar das restrições diversas jamais traiu seus
valores para obter dinheiro fácil.
Por que tantos limites? É acomodação, preguiça,
conflitos que o impedem de avançar? Não, não é corpo mole, não é preguiça e nem
conflitos paralisantes, ele fez muitas tentativas para melhorar sua situação.
Existem restrições que são medidas de segurança para não cair novamente.
Uma vez estávamos conversando sobre seu trabalho na
roça dos pais, das dificuldades de cuidar da plantação sob um sol abrasador, quando
começaram a aparecer imagens em sua mente. Com os olhos abertos, via imagens de
uma fazenda de enormes proporções que dominava determinada região do Brasil. Ele
era o dono da fazenda, era agricultor e criador de gado. Era um dos homens mais
ricos da região, frequentava as festas dos endinheirados do local. Via-se com roupas
chiques, bebida, mulheres, música... Sentia-se importante, nas festas ele se
destacava pelo poder e pelo dinheiro. Todos procuravam agradá-lo, tinha o que
queria. Teve uma vida frívola, pensando apenas nos seus prazeres. Perdeu a
existência escravizado em três áreas que dominou sua vida: dinheiro, bebida e
sexo!
Este
contraste entre o ontem e o hoje deu sentido a sua vida, começou a compreender
por que suas pequenas conquistas hoje são tão difíceis e suadas. Na vida
anterior tudo era favorecido, bastava um estalar de dedos para todos atendê-lo.
As facilidades do passado foram viciando sua personalidade, criando a ilusão de
ser melhor que os outros, achando que todos deviam servi-lo. Agora tinha que se
esforçar para conquistar o mínimo que precisava, com muito sacrifício. Os
esforços atuais eram exercícios para superar a inatividade do passado.
terça-feira, 26 de abril de 2016
Sou uma fraude
Mara estudou a vida toda, fala inglês e fez
doutorado em administração. É disputada no mercado de trabalho por conta de sua
inquestionável competência. É uma líder nata, sabe como conduzir sua equipe. É
consultada em momentos de crise por outros diretores de áreas diferentes.
Apesar de esbanjar competência, no fundo ela se
acha uma fraude, o oposto de como é reconhecida. É um disparate porque sua
formação e seu cargo profissional atestam sua capacidade. Há uma discordância
interna entre seus conhecimentos e seus sentimentos. Racionalmente ela sabe que
domina o conhecimento, mas se “sente” uma fraude, acha que está enganando os
outros e que será descoberta. Esse entrave interno não a deixa fluir, vive uma
paranoia achando que os outros sabem de sua farsa.
Para procurar compreender este conflito a
psicoterapia pesquisa a infância e outras etapas da vida a fim de encontrar as
causas desse sentimento de fraude, no caso dela nada foi encontrado que
justificasse essa conduta. Desde criança era quieta, fugia de contatos, apesar
de receber afeto da família. Tudo indica que ela trazia de uma reencarnação
anterior o sentimento de menos valia, fracasso, incompetência. Na vida passada
provavelmente ela enfrentou restrições na área do conhecimento e da profissão,
uma provação que fez parte daquela vida, não dessa, porque na sua vida atual
ela teve acesso ao conhecimento e a uma boa profissão. É preciso superar o
passado que insiste em permanecer e se adaptar ao presente, fazer prevalecer
suas conquistas atuais e sua competência!
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sexta-feira, 22 de abril de 2016
Beleza é fundamental
Diz o Poeta que beleza é fundamental, será mesmo? Na poesia até que rima, mas na
realidade as coisas não são bem assim. Se fosse fundamental, Poeta, as beldades
e os deuses gregos não tomariam ansiolíticos, antidepressivos e nem fariam
tantas cirurgias estéticas! A ideia de que a beleza é fonte da felicidade é um
jogo de marketing das indústrias de cosméticos, da moda, do cinema com promessa
de felicidade. Assim vamos associando beleza com glória, felicidade, dinheiro,
sucesso, romances espetaculares... É a visão materialista, consumista,
utilitarista de obter coisas para se realizar. Na vida real as pessoas não
fogem de sua subjetividade, ou seja, de seu mundo interno, de suas ideias, de
seus sonhos, de suas frustrações, de suas alegrias, de suas tristezas, de suas
conquistas, de suas derrotas, de acordo com suas conquistas evolutivas. Poeta,
no mundo de expiação e prova todos carregamos débitos para serem resgatados,
qualidades para serem desenvolvidas, as pessoas belas também! A pobreza e
riqueza, beleza e feiura, doença e saúde, felicidade e tristeza não são favores
ou desfavores da classe social e da genética, nem depende da sorte, do azar, do
privilégio ou do QI (quem indicou), estas questões tem ascendente espiritual.
É, Poeta, a vida não se resume ao entorno do corpo físico, nós somos Espíritos
Imortais, estamos aqui de passagem para evoluir, nossa verdadeira pátria é a
Espiritualidade. A beleza ou feiura são provas ou expiações reencarnatórias de
acordo com as conquistas ou insucessos na vida passada e na presente.
Poeta, no consultório vejo homens e mulheres
bonitos fisicamente, que se sentem feios e desinteressantes por dentro. São
pessoas que chamam a atenção pela plástica, são elegantes, desejadas, mas
quando alguém se aproxima delas e se envolvem, veem que são pessoas como as
outras com qualidades e defeitos. Aquelas que se sentem inadequadas e amargam
conflitos internos, mesmo sendo belas, são pessoas difíceis, não conseguem se
envolver. O fundamental, Poeta, é o equilíbrio pessoal, o autoamor, a boa
autoestima, a autoconfiança, a ética, a sociabilidade, a religiosidade...
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
Adulto ou criança?
Roberto é um profissional competente, boa
formação, dá conta de seu trabalho e é reconhecido por isso. Seu trabalho
consiste em gerenciar uma equipe operacional. Dá-se bem com seus colaboradores,
não tem dificuldade em dar orientação e chamar a atenção quando necessário. Seu
problema acontece quando tem que falar com alguma autoridade, fica nervoso, com sudorese, não consegue se expressar
direito, parece uma criança assustada. Por isso, procura evitar o contato com
seu diretor, coisa que nem sempre é possível.
O que ocorre é que quando ele era criança foi
muito criticado por seu pai, que não pensava muito para xingar e dar algumas
chineladas. Ele tinha que engolir tudo aquilo sem protestar para não ficar
pior. A figura do pai representava castigo, repreensão, autoridade, submissão.
Aprendeu a escutar e calar para se preservar. Estendeu este aprendizado e
comportamento para a vida adulta. Vivia esse tormento em todo lugar, se fosse
devolver um produto com defeito na loja, e o vendedor falasse um pouco mais
alto, recuava. Se queria reclamar no restaurante que o prato que pediu não
estava do jeito que queria, desistia e acabava comendo descontente. Toda
situação que tinha alguém que representava autoridade, sua criança assustada
surgia. É como se vivesse no mesmo corpo um adulto
e uma criança disputando quem iria falar.
Através
de um exercício, Roberto se imaginou voltando à infância para dar voz aquela
criança assustada. Ele pode se imaginar conversando com o pai autoritário e
expressando o que pensava. É como se estivesse falando com o pai todas as vezes
que quis falar e não pode. Este resgate da fala
tirou os nós que o prendiam no passado.
terça-feira, 17 de novembro de 2015
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
terça-feira, 27 de outubro de 2015
domingo, 11 de outubro de 2015
sábado, 19 de setembro de 2015
Ascendência Espiritual
Como seres imortais e multiexistenciais nosso estado atual de
doença/saúde, equilíbrio/desequilíbrio, sociabilidade/insociabilidade..., não é
uma realização exclusivamente do presente, há um encadeamento entre as
reencarnações anteriores e a atual. O condicionamento social amamentado pela
concepção materialista faz crer que tudo procede do corpo e do meio ambiente. Estes
fatores têm o seu percentual de influência, é claro, mas não é tudo. O ser que
anima o corpo, que movimenta o meio ambiente, ou seja, o Espírito, ao
reencarnar traz a história de suas vivências milenares em sua mente ou
inconsciente coletivo que compõe seu repertório evolutivo. No livro Rejubila-te
em Deus, página 62, Joanna de Ângelis elucida:
“em todo problema na área da saúde ou do comportamento humano, o enfermo é sempre o Espírito que se encontra em processo de recuperação do seu passado delituoso, experienciando as consequências das ações infelizes que se permitiu praticar antes do berço atual.”
Vemos aí a ascendência do Espírito sobre o corpo e o meio social. Portanto,
não somos reféns das condições exteriores, elas estão a serviço do Espírito,
com suas restrições e possibilidades.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Papéis temporais
Na vida física tendemos a nos identificar com o corpo e com os
problemas da existência. A identificação com o corpo leva-nos a acreditar que
somos o corpo, que nascemos, crescemos e morremos. A identificação com os
problemas leva à ideia que a vida se reduz às dificuldades, as dores, aos
obstáculos. Parece que a vida é assim, que vai ser sempre desse modo. Não nos
vemos como Espíritos Imortais em evolução, desenvolvendo nossos potenciais
através de um corpo físico e do enfrentamento dos reveses e das boas
experiências da existência.
Os papéis sociais ou as condições reencarnatórias que envergamos,
são temporárias! A vida é maior do que os trajes que vestimos. As condições que
apresentamos: saudáveis/doentes, bonito/feio, rico/pobre,
inteligente/ignorante, etc., não são definitivos, não determinam a
personalidade. São apenas experiências que objetivam educar o aprendiz.
No livro Vinha de Luz, página 69 Emmanuel leciona:
“Risível é o instinto de apropriação indébita que assinala a maioria dos homens.Não será a Terra comparável a grande carro cósmico, onde se encontra o espírito em viagem educativa?Se a criatura permanece na abastança material, apenas excursiona em aposentos mais confortáveis.Se respira na pobreza, viaja igualmente com vistas ao mesmo destino, apesar da condição de segunda classe transitória.Se apresenta notável figuração física, somente enverga efêmera vestidura de aspecto mais agradável, através de curto tempo, na jornada empreendida.Se exibe traços menos belos ou caracterizados de evidentes imperfeições, vale-se de indumentária tão passageira quanto a mais linda roupagem do próximo, na peregrinação em curso.Por mais que o impulso de propriedade ateie fogueiras de perturbações e discórdias, na maquinaria do mundo, a realidade é que homem algum possui no chão do Planeta domicílio permanente. Todos os patrimônios materiais a que se atira, ávido de possuir, se desgastam e transformam. Nos bens que incorpora ao seu nome, até o corpo que julga exclusivamente seu, ocorrem modificações cada dia, impelindo-o a renovar-se e melhorar-se para a eternidade.Se não estás cego, pois, para as leis da vida, se já despertaste para o entendimento superior, examina, a tempo, onde te deixará, provisoriamente, o comboio da experiência humana, nas súbitas paradas da morte.”
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Humberto de Campos conversa com o filósofo Sócrates
Humberto de Campos no livro Crônicas
de Além-túmulo, psicografado por Chico Xavier, fala de seu encontro com o
filósofo Sócrates. Este diálogo entre Humberto de Campos e Sócrates foi
providencial para mim, suscitou boas reflexões sobre o meu trabalho. Sócrates
fala que: “Nosso projeto de difundir a felicidade na Terra só terá realização quando
os Espíritos aí encarnados deixarem de ser cidadãos para serem homens conscientes
de si mesmos.” Esta colocação mostra o quanto somos bairristas, apegados aos
papéis sociais, egocêntricos... Precisamos avançar no autodescobrimento, na
solidariedade, no universalismo. Veja na íntegra o texto:
“7 de janeiro de 1937
Foi no Instituto Celeste de Pitágoras1
que vim encontrar, nestes últimos tempos, a figura veneranda de Sócrates, o
ilustre filho de Sofronisco e Fenareta.
A reunião, nesse castelo luminoso dos
planos erráticos, era, nesse dia, dedicada a todos os estudiosos vindos da
Terra longínqua. A paisagem exterior, formada na base de substâncias imponderáveis
para as ciências terrestres da atualidade recordava a antiga Hélade, cheia de aromas,
sonoridades e melodias. Um solo de neblinas evanescentes evocava as terras suaves
e encantadoras, onde as tribos jônias e eólias localizaram a sua habitação, organizando
a pátria de Orfeu, cheia de deuses e de harmonias. Árvores bizarras e floridas enfeitavam
o ambiente de surpresas cariciosas, lembrando os antigos bosques da Tessália, onde
Pan se fazia ouvir com as cantilenas de sua flauta, protegendo os rebanhos
junto das frondes vetustas, que eram as liras dos ventos brandos, cantando as
melodias da Natureza.
O palácio consagrado a Pitágoras tinha
aspecto de severa beleza, com suas colunas gregas à maneira das maravilhosas
edificações da gloriosa Atenas do passado.
Lá dentro, agasalhava-se toda uma
multidão de Espíritos ávidos da palavra esclarecida do grande mestre, que os
cidadãos atenienses haviam condenado à morte, 399 anos antes de Jesus-Cristo.
Ali se reuniam vultos venerados pela
filosofia e pela ciência de todas as épocas humanas, Terpandro, Tucidides,
Lísis, Ésquines, Filolau, Timeu, Símias, Anaxágoras e muitas outras figuras
respeitáveis da sabedoria dos homens.
Admirei-me, porém, de não encontrar
ali nem os discípulos do sublime filósofo ateniense, nem os juízes que o
condenaram à morte. A ausência de Platão, a esse conclave do Infinito, impressionava-me
o pensamento, quando, na tribuna de claridades divinas, se materializou aos
nossos olhos o vulto venerando da filosofia de todos os séculos. Da sua figura
irradiava-se uma onda de luz levemente azulada, enchendo o recinto de vibração
desconhecida, de paz suave e branda. Grandes madeixas de cabelos alvos de neve
molduravam-lhe o semblante jovial e tranquilo, onde os olhos brilhavam
infinitamente cheios de serenidade, alegria e doçura.
As palavras de Sócrates contornaram as
teses mais sublimes, porém, inacessíveis ao entendimento das criaturas atuais,
tal a transcendência dos seus profundos raciocínios. À maneira das suas lições
nas praças públicas de Atenas, falou-nos da mais avançada sabedoria espiritual,
através de inquirições que nos conduziam ao âmago dos assuntos; discorreu sobre
a liberdade dos seres nos planos divinos que constituem a sua atual morada e
sobre os grandes conhecimentos que esperam a Humanidade terrestre no seu futuro
espiritual.
É verdade que não posso transmitir aos
meus companheiros terrenos a expressão exata dos seus ensinamentos, estribados
na mais elevada das justiças, levando-se em conta a grandeza dos seus
conceitos, incompreensíveis para as ideologias das pátrias no mundo atual, mas,
ansioso de oferecer uma palavra do grande mestre do passado aos meus irmãos, não
mais pelas vísceras do corpo e sim pelos laços afetivos da alma, atrevi-me a
abordá-lo:
- Mestre - disse eu -, venho
recentemente da Terra distante, para onde encontro possibilidade de mandar o
vosso pensamento. Desejaríeis enviar para o mundo as vossas mensagens
benevolentes e sábias?
- Seria inútil - respondeu-me
bondosamente -, os homens da Terra ainda não se reconheceram a si mesmos. Ainda
são cidadãos da pátria, sem serem irmãos entre si. Marcham uns contra os
outros, ao som de músicas guerreiras e sob a proteção de estandartes que os
desunem, aniquilando-lhes os mais nobres sentimentos de humanidade.
- Mas. . . - retorqui - lá no mundo há
uma elite de filósofos que se sentiriam orgulhosos de vos ouvir!...
- Mesmo entre eles as nossas verdades
não seriam reconhecidas. Quase todos estão com o pensamento cristalizado no
ataúde das escolas. Para todos os espíritos, o progresso reside na experiência.
A História não vos fala do suicídio orgulhoso de Empédocles de Agrigento, nas
lavas do Etna, para proporcionar aos seus contemporâneos a falsa impressão de
sua ascensão para os céus? Quase todos os estudiosos da Terra são assim; o mal
de todos é o enfatuado convencimento de sabedoria. Nossas lições valem somente
como roteiro de coragem para cada um, nos grandes momentos da experiência
individual, quase sempre difícil e dolorosa. Não crucificaram, por lá, o Filho
de Deus, que lhes oferecia a própria vida para que conhecessem e praticassem a
Verdade? O pórtico da pitonisa de Delfos está cheio de atualidade para o mundo.
Nosso projeto de difundir a felicidade na Terra só terá realização quando os
Espíritos aí encarnados deixarem de ser cidadãos para serem homens conscientes
de si mesmos. Os Estados e as Leis são invenções puramente humanas, justificáveis,
em virtude da heterogeneidade com respeito à posição evolutiva das criaturas; mas,
enquanto existirem, sobrará a certeza de que o homem não se descobriu a si
mesmo, para viver a existência espontânea e feliz, em comunhão com as disposições
divinas da natureza espiritual. A Humanidade está muito longe de compreender
essa fraternidade no campo sociológico.
Impressionado com essas respostas,
continuei a interrogá-lo:
- Apesar dos milênios decorridos,
tendes a exprimir alguma reflexão aos homens, quanto à reparação do erro que
cometeram, condenando-vos à morte?
- De modo algum. Méletos e outros
acusadores estavam no papel que lhes competia, e a ação que provocaram contra
mim nos tribunais atenienses só podia valorizar os princípios da filosofia do
bem e da liberdade que as vozes do Alto me inspiravam, para que eu fosse um dos
colaboradores na obra de quantos precederam, no Planeta, o pensamento e o
exemplo vivo de Jesus-Cristo. Se me condenaram à morte, os meus juízes estavam
igualmente condenados pela Natureza; e, até hoje, enquanto a criatura humana
não se descobrir a si mesma, os seus destinos e obras serão patrimônios da dor
e da morte.
- Poderíeis dizer algo sobre a obra
dos vossos discípulos? .
- Perfeitamente - respondeu-me o sábio
ilustre -, é de lamentar as observações mal-avisadas de Xenofonte, lamentando
eu, igualmente, que Platão, não obstante a sua coragem e o seu heroísmo, não
haja representado fielmente a minha palavra junto dos nossos contemporâneos e
dos nossos pósteros. A História admirou na sua Apologia os discursos sábios e
bem feitos, mas a minha palavra não entoaria ladainhas laudatórias aos
políticos da época e nem se desviaria para as afirmações dogmáticas no terreno
metafísico. Vivi com a minha verdade para morrer com ela. Louvo, todavia, a
Antístenes, que falou com mais imparcialidade a meu respeito, de minha
personalidade que sempre se reconheceu insuficiente. Julgáveis então que me
abalançasse, nos últimos instantes da vida, a recomendações no sentido de que
se pagasse um galo a Esculápio? Semelhante expressão, a mim atribuída,
constitui a mais incompreensível das ironias.
- Mestre, e o mundo? - indaguei.
- O mundo atual é a semente do mundo
paradisíaco do futuro. Não tenhais pressa. Mergulhando-me no labirinto da
História, parece-me que as lutas de Atenas e Esparta, as glórias do Pártenon,
os esplendores do século de Péricles, são acontecimentos de há poucos dias;
entretanto, soldados espartanos e atenienses, censores, juízes, tribunais, monumentos
políticos da cidade que foi minha pátria, estão hoje reduzidos a um punhado de
cinzas!... A nossa única realidade é a vida do Espírito.
- Não vos tentaria alguma missão de
amor na face do orbe terrestre, dentro dos grandes objetivos da regeneração
humana?
- Nossa tarefa, para que os homens se
persuadam com respeito à verdade, deve ser toda indireta. O homem terá de
realizar-se interiormente pelo trabalho perseverante, sem o que todo o esforço
dos mestres não Passará do terreno do puro verbalismo.
E, como se estivesse concentrado em si
mesmo, o,grande filósofo sentenciou:
- As criaturas humanas ainda não estão
preparadas para o amor e para a liberdade...
Durante muitos anos, ainda, todos os
discípulos da Verdade terão de morrer muitas vezes!...
E enquanto o ilustre sábio ateniense
se retirava do recinto, junto de Anaxágoras, dei por terminada a preciosa e
rara entrevista."
1 Nome convencional para figurar os
centros de grandes reuniões espirituais no plano Invisível. - O Autor
Espiritual.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Prazer X Sofrimento
Algumas pessoas acham que estão no
Planeta apenas para se divertir, como se aqui fosse um parque de diversão. Não
sabem e não suportam enfrentar os altos e os baixos da vida. Outros acreditam
que estão aqui para sofrer, não se permitem desfrutar dos momentos alegres e
agradáveis. Para ambos o caminho do meio,
da moderação, é imperceptível ou inexistente.
Aqui
o filósofo Espírita José Herculano Pires, no livro O Sentido da Vida, p. 13,
esclarece qual é a visão Espírita da vida:
“O Espiritismo renovou fundamentalmente a concepção humana da vida e do mundo, ensinando ao homem que ele não nasceu para gozar nem para sofrer, mas apenas para evoluir, para progredir, como tudo evolui e progride ao nosso redor, na natureza e na própria sociedade. A dor deixou de ser um castigo imposto ao homem pela absurda vingança de Deus contra o casal primitivo; o prazer deixou de ser o objetivo aceitável da existência corpórea e ambos, prazer e dor, passaram a ser meras decorrências de um processo mais amplo e mais complexo, em que o homem se acha envolvido, para crescer e se desenvolver, em espírito e verdade.”
domingo, 12 de julho de 2015
Tempo
Tempo
Como cuidamos de nosso tempo? Quando
termina o dia, a semana, o mês, estamos satisfeitos?
Temos a sensação de tempo perdido ou
bem aproveitado?
Onde você busca referência para aferir
seu tempo?
No livro Obreiros de Vida Eterna, c.
2, o benfeitor Cornélio esclarece:
Se estamos... verdadeiramente interessados na elevação, constitui-nos inalienável dever o conhecimento exato do valor “tempo” estimando-lhe a preciosidade e definindo cada coisa e situação em lugar próprio...
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Equilíbrio - desequilíbrio
A
expressão brincar com fogo quer dizer
que quem brinca com fogo pode se queimar. Racionalmente alguns,
superficialmente outros, dizem não querer se queimar. Mas, sem perceber, ou
percebendo, muitos, lá estão às voltas com o fogo.
O
Espírito Manoel P. de Miranda diz que “É muito diáfana a linha divisória entre
a sanidade e o desequilíbrio mental.”1 É muito sutil o movimento de
um para outro estado. No Planeta de expiação e prova, adotamos comportamentos
inadequados como se fossem “normais”. Por exemplo, muitas pessoas justificam
que a lamentação é um meio de colocar para fora o que a incomoda. Parece
inocente e sem consequências. No entanto, não é o que pensa os benfeitores
espirituais. No livro Nosso Lar, o benfeitor Clarêncio depois de ouvir André
Luiz lamentar-se de sua condição de recém-desencarnado e de ter deixado a
esposa e os filhos, adverte-o de que “Lamentação denota enfermidade mental e
enfermidade de curso laborioso e tratamento difícil.”2 A pessoa que
lamenta se coloca como vítima da vida, como se ela não tivesse feito nada para
estar onde está. Além disso, o teor de seus pensamentos são tóxicos afetando
seu corpo físico e o perispírito.
Para
melhor explicitar a permissividade em brincar com o fogo, Manoel P. de
Miranda disserta: “Ligeira excitação,
alguma ocorrência depressiva, uma ansiedade, ou um momento de mágoa, a escassez
de recursos financeiros, o impedimento social, a ausência de um trabalho digno
entre muitos outros fatores, podem levar o homem a transferir-se para a outra
faixa da saúde mental, alienando-se, temporariamente, e logo podendo retornar à
posição regular, à de sanidade.”3 A detenção demorada em alguma
dessas situações pode tornar a recomposição mais difícil. Isso porque, a
fixação mental pode ter vários desdobramentos como a polarização da mente em
apenas um ponto, perdendo a polivalência; a evocação ou ressonância no inconsciente
de conteúdo/experiência semelhantes; a sintonia com obsessores que vão
intensificar a perturbação. A ruminação das ideias favorece esse desequilíbrio.
Quanto tempo nos permitimos ficar detido em uma ideia ou lembrança, dez
minutos, uma hora, um mês, um ano, um século?
Precisamos
ser proativos diante de situações que podem nos complicar, tomando providências
que impeçam a perda da autonomia. Pensar excessivamente em um problema torna-o
maior do que é, distorce o seu significado, vicia a mente levando-a a fixação.
Faça
um acordo com você, se em quinze minutos você não resolveu a questão, deixa
para pensar mais tarde. Quando estamos de “cabeça fria” temos mais acesso aos
nossos recursos psíquicos.
Referência:
1, 3.
Divaldo P. Franco/Manoel P. de Miranda - Nas Fronteiras da Loucura – 2006
2.
Francisco C. Xavier/André Luiz – Nosso Lar - 2008
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