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terça-feira, 26 de abril de 2016

Sou uma fraude

Mara estudou a vida toda, fala inglês e fez doutorado em administração. É disputada no mercado de trabalho por conta de sua inquestionável competência. É uma líder nata, sabe como conduzir sua equipe. É consultada em momentos de crise por outros diretores de áreas diferentes.
Apesar de esbanjar competência, no fundo ela se acha uma fraude, o oposto de como é reconhecida. É um disparate porque sua formação e seu cargo profissional atestam sua capacidade. Há uma discordância interna entre seus conhecimentos e seus sentimentos. Racionalmente ela sabe que domina o conhecimento, mas se “sente” uma fraude, acha que está enganando os outros e que será descoberta. Esse entrave interno não a deixa fluir, vive uma paranoia achando que os outros sabem de sua farsa.

Para procurar compreender este conflito a psicoterapia pesquisa a infância e outras etapas da vida a fim de encontrar as causas desse sentimento de fraude, no caso dela nada foi encontrado que justificasse essa conduta. Desde criança era quieta, fugia de contatos, apesar de receber afeto da família. Tudo indica que ela trazia de uma reencarnação anterior o sentimento de menos valia, fracasso, incompetência. Na vida passada provavelmente ela enfrentou restrições na área do conhecimento e da profissão, uma provação que fez parte daquela vida, não dessa, porque na sua vida atual ela teve acesso ao conhecimento e a uma boa profissão. É preciso superar o passado que insiste em permanecer e se adaptar ao presente, fazer prevalecer suas conquistas atuais e sua competência!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Adulto ou criança?

Roberto é um profissional competente, boa formação, dá conta de seu trabalho e é reconhecido por isso. Seu trabalho consiste em gerenciar uma equipe operacional. Dá-se bem com seus colaboradores, não tem dificuldade em dar orientação e chamar a atenção quando necessário. Seu problema acontece quando tem que falar com alguma autoridade, fica nervoso, com sudorese, não consegue se expressar direito, parece uma criança assustada. Por isso, procura evitar o contato com seu diretor, coisa que nem sempre é possível.
O que ocorre é que quando ele era criança foi muito criticado por seu pai, que não pensava muito para xingar e dar algumas chineladas. Ele tinha que engolir tudo aquilo sem protestar para não ficar pior. A figura do pai representava castigo, repreensão, autoridade, submissão. Aprendeu a escutar e calar para se preservar. Estendeu este aprendizado e comportamento para a vida adulta. Vivia esse tormento em todo lugar, se fosse devolver um produto com defeito na loja, e o vendedor falasse um pouco mais alto, recuava. Se queria reclamar no restaurante que o prato que pediu não estava do jeito que queria, desistia e acabava comendo descontente. Toda situação que tinha alguém que representava autoridade, sua criança assustada surgia. É como se vivesse no mesmo corpo um adulto e uma criança disputando quem iria falar.
Através de um exercício, Roberto se imaginou voltando à infância para dar voz aquela criança assustada. Ele pode se imaginar conversando com o pai autoritário e expressando o que pensava. É como se estivesse falando com o pai todas as vezes que quis falar e não pode. Este resgate da fala tirou os nós que o prendiam no passado.