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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Descomplicando a Vida

Você já teve dor de dente latejante ou cólica renal? Quando você está com dor, como fica sua disposição geral? Provavelmente comprometida, não é? Agora transfira a dor física para o âmbito psicológico, a tradução da dor na área psicológica é sofrimento, conflito, transtorno, confusão podemos sintetizá-lo como comportamento neurótico. Portanto, uma pessoa neurótica está um pouco alterada internamente com sentimentos confusos, incertezas, medos, etc. Neste estado ela faz uma leitura de sua vida e do seu entorno consoante sua perturbação, quase tudo vai parecer mais difícil. A pergunta que se faz é: o que é mais complicado o mundo ou o modo pessoal de ver a vida? A propósito a psicóloga positiva Barbara L. Fredrickson, no seu livro Positividade, página 28 afirma: “ao contrário das emoções negativas, que limitam as ideias sobre ações possíveis, as emoções positivas ampliam o julgamento sobre elas, abrindo nossa consciência para uma ampla gama de pensamentos e ações. Por exemplo, a alegria desperta a necessidade de brincar e ser criativo. O interesse estimula a exploração e o aprendizado, enquanto a serenidade nos leva a apreciar as circunstâncias e integrá-las a uma nova visão de nós mesmos e do mundo ao nosso redor.”
Alimentar ressentimento, ódio, indiferença, provocar os outros, ver o lado negativo da vida é complicar-se bastante, gerando uma série de tormentos psicológicos, físicos, espirituais e sociais. A pessoa acaba se auto-obsediando pelas fixações doentias, facilitando a atuação do obsessor espiritual.

Quando o Espiritismo propõe os bons pensamentos, as boas leituras, a paciência, o perdão, o amor, etc., não o faz para nos tornar “bonzinhos”, mas para sermos equilibrados, lúcidos, amistosos, confiantes, alegres, otimistas, enfim caminhar para o amadurecimento, descomplicando e facilitando a existência. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Você é do grupo do Sim ou do Não?

Sim
O que se espera de uma pessoa equilibrada e madura é que seja amistosa, sociável, autêntica, gentil, porque com a maturidade relativa ela já terá resolvido muitos conflitos pessoais. A pessoa imatura, com baixa autoestima, sentimento de inferioridade ou de rejeição, se sente inadequada, desinteressante, e isso a faz sofrer. Uma tentativa de compensar ou de superar esse sofrimento psíquico é querer agradar ou concordar com todo o mundo. São aquelas pessoas que quase sempre dizem sim. Essa criatura na maioria das vezes, a contragosto, quer ser aceita e ser vista como simpática, amistosa, legal, sorridente, sempre disponível, por vezes passando por cima de seus valores. O que vai acarretar negar a si mesma para agradar aos demais? Certamente que algum conflito vai atormentá-la mexendo no seu autoconceito1. A boa imagem que queria passar para os outros fica prejudicada, alterada, portanto sem poder agradar, ao contrário transmite a imagem de falsa, inautêntica, “Maria vai com as outras”. 

Não
Na categoria do Não estão às pessoas que não concordam com nada, contestam tudo ou se negam a dar a sua opinião.
A palavra mais representativa das criaturas que não concordam com nada é a “contraposição”, cujos sinônimos2 são: “atacar, objetar, rebater, retorquir, refutar, desmentir, contrariar, contraditar, rebater, contestar, contradizer, adversar, discutir, opor, disputar.” Parece que estas pessoas estão brigando e se defendendo o tempo todo, não concordam com nada, não aceitam coisa nenhuma. O móvel da oposição ou da refutação não é um posicionamento pertinente, é derivado de tormento pessoal que o marcou como se achar inferior, ter sofrido rejeitado ou padecido algum trauma.
Diferente desses contestadores radicais tem o grupo dos que usam o Não para se omitir, não dão suas opiniões, não sabem de nada, não viram nada, não escutaram nada enfim não querem confusão. Elas se omitem ou ficam em cima do muro pensando que são neutras. Parece que assim elas evitam problemas com os outros, mas a suposta paz é só na aparência porque o seu mundo interno está uma balburdia.

Sugestão de solução: resolver os conflitos e desenvolver novas qualidades.


Nota
1. O autoconceito é quem e o que, em nível consciente ou subconsciente, nós pensamos ser – nossos traços físicos e psicológicos, nossas qualidades e imperfeições, nossas possibilidade e limitações, nossas forças e fraquezas. p. 36 Autoestima e Seus Seis Pilares. Autor: Nathaniel Branden

2. Dicionário de Sinônimos Online – Sinônimos.com.br

terça-feira, 5 de julho de 2016

Eu não pedi para nascer!

O que fazer para agradar uma pessoa ingrata? Nada! Por que ela está doente e não é capaz de reconhecer qualquer gentileza, agrado, carinho... Dar-lhe um presente ou carinho provoca uma reação momentânea de contentamento e em seguida volta ao desagrado. Ela não é agradada com a qualidade e nem com a quantidade de presentes. As pessoas desprevenidas que a amam tentam agradá-la dando muitos presentes, e sempre precisa mais, mais... Como ela é infeliz e não se sacia responsabiliza os outros por sua infelicidade, acusando-os de não compreendê-la, de não fazer as coisas para ela com amor.
Os principais alvos de sua revolta e reclamação são os pais, transferem para eles a responsabilidade pela vida emocional miserável que levam. Costumam ofendê-los e atacam: eu não pedi para nascer! Vocês me colocaram no mundo, agora aguenta! Na cabeça deles os pais são obrigados a dar amor, dinheiro, alimento, roupas, viagens...
Por conta dos seus temperamentos, dos conflitos, da falta de responsabilidade, do desinteresse dificilmente consegue uma profissão que lhes agrade. Entra e sai dos empregos sempre acusando a empresa de explorá-los, de exigir demais deles, etc.
Um caso típico de ingratidão que acompanhei, os pais compraram uma franquia de café para o filho, ele ficou empolgado, parecia que ia se encontrar, que as coisas iriam mudar. No começo foi bem, ele tinha um funcionário em quem jogava tudo em suas costas. Mas tinha um problema, ele estava lá! Sim, ele, o neurótico ingrato estava lá projetando seus tormentos no seu trabalho. A onde ele está ele enchia o ambiente de defeitos, reclamações, desconfianças, provocações... Não demorou para surgir os desentendimentos, a dificuldade de manter uma rotina, logo as vendas diminuírem e fechou o negócio! Ele depressa encontrou os culpados pelo insucesso: seus pais! E acusava: “vocês que me colocaram nesse negócio”, “vocês sabiam que eu não tinha experiência!” “Vocês queriam se livrar de mim...”.
Se esta pessoa fosse colocada em um suposto paraíso, onde tudo é perfeito e ele pudesse desfrutar da plena felicidade e da alegria, iria reclamar dizendo: as pessoas aqui acham graça em tudo, estão sempre sorrindo, não reclamam de nada, parece que não enxergam a realidade, isso soa falso! A realidade que ele acredita e que os outros não veem é a sua, subjetiva, ou seja, seu mundo interno cheio de conflitos, de confusão, de perturbação. Ele acha que o mundo é assim, porque é o que ele sente internamente.

Tudo que se lhe der é insuficiente: presentes, dinheiro, emprego, amizades reais, etc. Seu problema é interno, são os seus conflitos que precisam ser enfrentados. As causas desse desassossego podem ser as experiências infantis sem afeto ou de muito estresse com brigas e ameaças, como também reflexos de vidas anteriores. 

terça-feira, 24 de maio de 2016

O que os outros vão pensar de mim?

Uma das frases mais ouvidas no consultório é esta: o que os outros vão pensar de mim? Eu costumo devolver: os outros sempre vão pensar! Se você for correto, vão pensar; se você for desonesto, vão pensar; se você for bom, vão pensar; se você for mal, vão pensar; se você fizer muitas coisas, vão pensar; se você não fizer nada, vão pensar! Falaram das grandes personalidades do progresso e das maldosas, você vai escapar?

O que mais incomoda, o que elas pensam de você ou o que você pensa que elas pensam de você? Estar muito preocupado com a opinião dos outros não é sinal de conflitos pessoais? O que os outros pensam de você é mais importante do que sua autoavaliação?

As pessoas negativas, pessimistas e conflitadas interpretam tudo que se refere a elas como pessoal, ofensivo e persecutório, elas não aproveitam nada do que vem dos outros, que não deixam de ser seus professores indiretos. O neurótico justifica este posicionamento relacionando as várias vezes que foi ofendido, ressaltando o lado ruim das pessoas. Os indivíduos mais maduros, sempre estão aprendendo, veem nos “adversários” instrutores, como ensina o Espiritismo. É claro que há pessoas maldosas que precisamos identificar e nos guardar para preservar a vida e a integridade. No entanto, a pessoa madura não vê ameaça em tudo e em todos sua capacidade de discernir é mais ampla, não é unilateral. Fazendo esta distinção entre a pessoa neurótica e a madura, lembrei do ensinamento de Jesus: “Pois àquele que tem lhe será dado, e terá com abundância; mas àquele que não tem até o que tem será tirado dele.”1 A pessoa madura aproveita melhor sua existência, por isso tem capacidade de obter mais aprendizados existenciais do que o neurótico que fica preso em seus tormentos sem aproveitar melhor as ofertas da vida. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Pés grandes

Como quantificar o grau de estresse ou de tormentos que a sociedade nos causa com o trânsito, a violência, o clima, a competição, etc., e qual é o percentual pessoal de problematizar a vida? Trocando em miúdos, é a sociedade complexa que nos atormenta, ou nós nos atormentamos com a sociedade? Obviamente as duas partes tem a sua quota de elementos afligentes. Como não podemos mudar o mundo, podemos mudar a nós mesmos, superando os melindres, as crenças falsas, a baixa autoestima, etc.
Um rapaz procurou a psicoterapia angustiado, triste, não queria mais sair de casa, ficava trancado em seu quarto o dia todo escutando música. Os pais não sabiam mais o que fazer, pensavam que ele estivesse usando drogas ou tinha alguma “doença mental.” Na terapia ele deu voltas para falar do assunto que o afligia: os seus pés! Isso mesmo, os seus pés. Achava que seus pés eram grandes demais, tinha vergonha que as pessoas olhassem para eles. Usava calças largas ou a boca da calça mais larga para cobrir seus pés. Virou uma paranoia, ficava monitorando os olhares dos outros, via o que não existia.
Essa cisma começou no ensino fundamental, onde é comum a garotada colocar apelidos uns nos outros. Qualquer coisa diferente em um colega é motivo para gozação: gordo, magro, alto, baixo, mãos grandes ou pequenas, nariz grande ou pequeno, pés grandes ou pequenos, enfim, tudo é motivo para chacota. Meu cliente não tinha os pés enormes, pela altura dele era para calçar 42, e calçava 44, quase imperceptível por sua altura. O apelido de pezão pegou mais pelo incomodo do rapaz, do que pelo tamanho do pé. O sentimento de inferioridade que alimentava contribuiu para acatar as gozações como verdadeiras. Quando os amigos tiravam sarro, ele ficava vermelho, paralisado, se sentindo pior como pessoa.
Quantos homens se sentem inadequados por causa da barriga, da calvície, da profissão, da altura, etc., evitando o convívio social ou até um relacionamento afetivo porque se acham inadequados?
As mulheres têm áreas pontuais de queixa: cabelos, seios, bumbum, pernas, rugas, celulites e barriga.

Não são estas condições em si que causam o sofrimento ou a falta de aceitação, mas o que se pensa delas. Uma pessoa “resolvida”, com boa autoestima e autoconfiança não se limita, nem se paralisa se suas formas não forem perfeitas. Por outro lado, uma criatura “perfeita nas formas”, com baixa autoestima, insegura vai arranjar motivos para ser infeliz. Aqui cabe ponderar também o nível de evolução de cada pessoa.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Sou uma fraude

Mara estudou a vida toda, fala inglês e fez doutorado em administração. É disputada no mercado de trabalho por conta de sua inquestionável competência. É uma líder nata, sabe como conduzir sua equipe. É consultada em momentos de crise por outros diretores de áreas diferentes.
Apesar de esbanjar competência, no fundo ela se acha uma fraude, o oposto de como é reconhecida. É um disparate porque sua formação e seu cargo profissional atestam sua capacidade. Há uma discordância interna entre seus conhecimentos e seus sentimentos. Racionalmente ela sabe que domina o conhecimento, mas se “sente” uma fraude, acha que está enganando os outros e que será descoberta. Esse entrave interno não a deixa fluir, vive uma paranoia achando que os outros sabem de sua farsa.

Para procurar compreender este conflito a psicoterapia pesquisa a infância e outras etapas da vida a fim de encontrar as causas desse sentimento de fraude, no caso dela nada foi encontrado que justificasse essa conduta. Desde criança era quieta, fugia de contatos, apesar de receber afeto da família. Tudo indica que ela trazia de uma reencarnação anterior o sentimento de menos valia, fracasso, incompetência. Na vida passada provavelmente ela enfrentou restrições na área do conhecimento e da profissão, uma provação que fez parte daquela vida, não dessa, porque na sua vida atual ela teve acesso ao conhecimento e a uma boa profissão. É preciso superar o passado que insiste em permanecer e se adaptar ao presente, fazer prevalecer suas conquistas atuais e sua competência!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Adulto ou criança?

Roberto é um profissional competente, boa formação, dá conta de seu trabalho e é reconhecido por isso. Seu trabalho consiste em gerenciar uma equipe operacional. Dá-se bem com seus colaboradores, não tem dificuldade em dar orientação e chamar a atenção quando necessário. Seu problema acontece quando tem que falar com alguma autoridade, fica nervoso, com sudorese, não consegue se expressar direito, parece uma criança assustada. Por isso, procura evitar o contato com seu diretor, coisa que nem sempre é possível.
O que ocorre é que quando ele era criança foi muito criticado por seu pai, que não pensava muito para xingar e dar algumas chineladas. Ele tinha que engolir tudo aquilo sem protestar para não ficar pior. A figura do pai representava castigo, repreensão, autoridade, submissão. Aprendeu a escutar e calar para se preservar. Estendeu este aprendizado e comportamento para a vida adulta. Vivia esse tormento em todo lugar, se fosse devolver um produto com defeito na loja, e o vendedor falasse um pouco mais alto, recuava. Se queria reclamar no restaurante que o prato que pediu não estava do jeito que queria, desistia e acabava comendo descontente. Toda situação que tinha alguém que representava autoridade, sua criança assustada surgia. É como se vivesse no mesmo corpo um adulto e uma criança disputando quem iria falar.
Através de um exercício, Roberto se imaginou voltando à infância para dar voz aquela criança assustada. Ele pode se imaginar conversando com o pai autoritário e expressando o que pensava. É como se estivesse falando com o pai todas as vezes que quis falar e não pode. Este resgate da fala tirou os nós que o prendiam no passado.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Assertividade X Grosseria

Uma atitude importante para nosso relacionamento interpessoal é a assertividade, definido pelo dicionário Houaiss como “que demonstra segurança, decisão e firmeza nas atitudes e palavras” A pessoa assertiva expõe e defende suas ideias respeitando a opinião de seu interlocutor. Uma pessoa insegura e tímida terá dificuldade em ser assertiva, ela acha suas ideias bobas e descabidas, por isso, evita expressá-las. Quanto mais nega o que pensa mais conflito gera em sua personalidade, ficando mais insegura. Há quem confunda grosseria com assertividade e afirmam: “não tenho papas na língua”, falo o que penso!; o que equivale dizer que ela fala sem medir as palavras não importando se vai ferir ou não o outro. Esta pessoa acha que não é responsável pelo que fala e pelo que faz. E se o seu interlocutor estiver a um passo de desistir da vida, e sua colocação precipitá-lo a algo grave? Nossa palavra é uma fagulha de esperança ou um punhal mortal? André Luiz no livro Evolução em Dois Mundos, capítulo 11 instrui: “Incorporando a responsabilidade, a consciência vibra des­perta e, pela consciência desperta, os princípios de ação e rea­ção funcionam, exatos, dentro do próprio ser, assegurando-se a liberdade de escolha e impondo-lhe, mecanicamente os resulta­dos respectivos, tanto na esfera física quanto no Mundo Espiri­tual.” Portanto, somos responsáveis pelo que pensamos, sentimos e fazemos no contato com os outros e com o mundo, formando vínculos construtivos ou perturbadores que deveremos consertá-los. Aprofundando o resultado de nossa comunicação com os outros, André Luiz no livro Mecanismo da Mediunidade, capítulo 16, esclarece sobre os efeitos advindos de nossos pensamentos e atitudes: “Pensando ou conversando constantemente so­bre agentes enfermiços, quais sejam a acusação indébita e a critica destrutiva, o deboche e a cruel­dade, incorporamos de imediato, a influência das criaturas encarnadas e desencarnadas que os alimen­tam, porque o ato de voltar a semelhantes temas, contrários aos princípios que ajudam a vida e a regeneram, se transforma em reflexo Condicionado de caráter doentio, automatizando-nos a capacidade de transmitir tais agentes mórbidos, responsáveis por largo acervo de enfermidade e desequilíbrio.” Assim, o “senhor sem papas na língua”, ou a pessoa maliciosa, fofoqueira, maledicente ao ser maldosa e dura com o seu próximo incorpora em si mesmo todo mal que semeou.
André Luiz conta sua própria experiência no livro Nosso Lar, a respeito de sua desencarnação antes da hora por conta de sua conduta, entre outros motivos o médico espiritual Henrique de Luna fala do seu modo irritadiço de tratar as pessoas: “...seu modo especial de conviver, muita vez exasperado e sombrio, captava destruidoras vibrações naqueles que o ouviam. Nunca imaginou que a cólera fosse manancial de forças negativas para nós mesmos? A ausência de autodomínio, a inadvertência no trato com os semelhantes, aos quais muitas vezes ofendeu sem refletir, conduziam-no frequentemente à esfera dos seres doentes e inferiores. Tal circunstância agravou, de muito, o seu estado físico.”



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ruptura com o paradigma da doença

Os assuntos: doença, dor, sofrimento, conflito, perturbação, morte, etc., são tão falados, discutidos ou negados que parecem inerentes ao ser humano. A ciência pesquisa mais a doença do que a saúde. Houve uma época em que se pensava que a saúde era a ausência da doença. Essa polarização em torno do sofrimento humano parece necessária por condizer com o nível de consciência ou de desenvolvimento da humanidade. O cientista pesquisa aquilo que é mais urgente, emergente e manifesto, como é a doença. O distúrbio de um órgão é manifesto e sentido pelo sujeito, como no caso de um tumor; a confusão e o estresse são visíveis no comportamento e no corpo. A ciência estuda esses temas, como outros tantos, a fim de aumentar o conhecimento sobre eles para remediar e prevenir. Pesquisar sobre saúde, bem-estar, felicidade, alegria, otimismo parece algo utópico e distante. A doença surge da alteração de um órgão, de uma infecção, etc. E a saúde, a alegria, a confiança, o bem-estar de onde vem?
O paradigma da doença está tão impregnado em nossa vida e em várias áreas do conhecimento, que obsta pensar em saúde e equilíbrio sem o seu estorvo. O progresso e os benefícios da ciência esclareceram muitas coisas, minimizou muitas dores, mas ainda não resolveu o sofrimento e o vazio existencial. Será que a ciência deve buscar somente equacionar a doença, a dor, o sofrimento para melhorar a condição humana? Investir no bem-estar, na autoestima, na autoconfiança, na alegria, na espiritualidade, nas boas relações, no afeto, no ambiente de trabalho prazeroso, na boa alimentação, na condução não estressante não seriam coadjuvantes ou os protagonistas da saúde integral? Esta é a proposta de Abraham Maslow quando afirma que 
“...é como se Freud nos tivesse fornecido a metade doente da Psicologia e nós devêssemos preencher agora a outra metade sadia. Talvez essa Psicologia da Saúde nos proporcione mais possibilidades para controlar e aperfeiçoar as nossas vidas e fazer de nós melhores pessoas. Talvez isso seja mais proveitoso do que indagar “como ficar não-doente”. 
A doença e o sofrimento têm prazo de validade, estão com os dias contados, não são inerentes ao ser humano e sim ao nível de imaturidade evolutiva. Com a imaturidade prevalece a imoralidade, o egoísmo, a impulsividade, o desejo imoderado, o orgulho, a vaidade, etc., motivos de disputa, de intriga, de ódio, de inveja, de revolta, de intolerância... Já, com o amadurecimento, a pessoa se torna mais ética, moderada, amistosa, altruísta, modesta, tolerante, sociável, alegre, prevalecendo o discernimento.

Consulta:

Maslow, H.M. – Introdução à Psicologia do Ser

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Conteúdos Superiores


Na mensagem “Anencefalia” de Joanna de Ângelis, constante neste blog, a benfeitora fala algo em determinado trecho da missiva que achei surpreendente para o conhecimento psicológico. A referida citação é a seguinte: Desequipado (o ser humano) de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança... Este é o trecho que quero discorrer, implícita ou explicitamente, tem informações preciosas para compreender as qualidades humanas.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dor Psicológica


Você já teve dor de dente? Provavelmente, sim, não é? Ou, talvez, outras dores como dor de estômago, dor de cabeça e tantas outras. A dor altera nossas idéias, nossas emoções e nossa disposição física. Seria possível com dor de dente latejante você:

 o   meditar?
 o   apreciar um prato de comida de sua predileção?
 o   fazer uma leitura aprazível?
 o   assistir uma palestra?

Tudo que seria aprazível em determinados momentos, ante a dor latejante seria enervante, entediante, enfim, insuportável.
Assim como a dor física dificulta ou impede determinadas atividades, a dor psicológica não é diferente, desencadeia uma série de perturbações.
A dor psicológica tem vários nomes, veja se algum deles é familiar nas suas experiências:

Ø bloqueio
Ø conflito
Ø distúrbio
Ø neurose
Ø transtorno
Ø trauma

Essas dores podem se manifestar por meio de: depressão, solidão, baixa autoestima, insegurança, medo, rejeição, culpa...
As dores psicológicas vão tirar o colorido da vida, a graça de uma diversão, o sabor de uma fruta, por fim, as experiências ficam contaminadas pelo humor perturbado.

Como é o passeio de um depressivo?
O que sente o solitário no meio da multidão?
Qual é a performance da pessoa sem autoestima?
Até onde chega uma pessoa insegura?
O mundo é tranqüilo para o medroso?
Você convence a pessoa rejeitada que a ama?
O culpado consegue esquecer o que fez?

A tolerância as dores físicas têm um limite, você ficaria alguns meses ou anos com dor de dente ou com uma perna fraturada? Provavelmente não! Por que ficamos com uma dor psicológica, como a rejeição, por alguns anos? Por que ficamos com uma “fratura psicológica”, como a depressão, por anos a fio? Por que nos permitimos ficar na fossa ou em recordações doentias por muito tempo? E por que não ficamos ruminando ou lembrando por muito tempo as lembranças gostosas e alegres?
Será que somos muito tolerantes a dor psicológica?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Esgotamento da neurose



Estou chamando de neurose as perturbações, os conflitos, a ansiedade que estamos sujeitos no dia-a-dia.
Em algumas fases de nossas vidas algumas situações nos perturbam, parecem intransponíveis; passa o tempo, quando nos damos conta nem pensamos mais naquela dificuldade. Na infância você pode ter tido um conflito que na adolescência desapareceu, como na adultidade algumas coisas que nos desconcertavam na adolescência, não é mais problema. Por exemplo, na adolescência, o jovem pode cismar com seus dentes ou nariz e achar que é feio, ridículo, que ninguém vai gostar dele. Quando chega a maioridade ele não dá mais bola para isso, ao contrário, tira proveito com brincadeiras de si mesmo. Na fase adulta podemos ficar muito preocupados com o que os outros pensam de nós, depois de certo tempo isso não é mais importante. Outras vezes os conflitos podem estacionar ou piorar e ser transferido para outra fase, nesse caso precisa ser trabalhado/enfrentado de forma mais direta para superá-lo.
Tudo passa, “a mudança não muda”, o progresso é inevitável. Você já reparou a progressão de tudo? Em nosso caso de ser humano a sequência é essa: óvulo – feto – bebê – infância – adolescência - maioridade - terceira idade – quarta idade... Na área psíquica se dá o mesmo e de forma permanente, isso significa ampliar nossa inteligência, nossa percepção, nossa razão, nossa racionalidade, nossos sentimentos, nossa intuição, enfim ampliar nossa lucidez e discernimento. Com isso, aquilo que nos afligia no passado, baseado numa visão limitada e carregada de ignorância, ganha outro contorno com a ampliação da consciência. Em cima desse raciocínio, podemos dizer que sofremos por conta da ignorância crassa, falta de evolução, ou da ignorância cultivada – que é pior! Qual é o seu caso? 

domingo, 24 de janeiro de 2010

Seus cabelos são sua identidade?

Você conhece muitas mulheres que estão de bem com os seus cabelos? É raro, não é? Para algumas mulheres o cabelo é quase a identidade: meus cabelos são lisos, logo, existo! Felizmente, muitas já se libertaram dessa escravidão.
Foi com essa idéia da identidade-cabelo que uma garota procurou a psicoterapia, ela já tinha as respostas para seu insucesso com os rapazes: o cabelo! Ela já havia feito de tudo com seus cabelos: primeiro longos e depois curtos, combinando com as cores preta, loira, vermelho... E, nada! Ela ficou intrigada, como pode já fiz de tudo com os meus cabelos!
Ela não tinha tentando ainda mexer em suas crenças ou convicções sobre sua identidade e cabelos. Assim como a anoréxica vê no espelho uma imagem gorda, minha cliente só via fragmentos de sua imagem corporal: os cabelos. A imagem corporal não estava boa porque havia conflitos na autoimagem! Isso mesmo, por dentro ela não estava bem, estava com a autoestima baixa, se sentia sem importância, se achava desinteressante. Esse estado interior refletia nas suas idéias, nas suas emoções, no seu comportamento e na sua imagem corporal, pronto o kit “patinho feio” está formado. Ela tinha que desaguar esse conflito em alguma coisa, a onde? No cabelo! Como a ditadura da moda e das indústrias de cosméticos dita as regras do que é bonito e aceitável, ela foi fisgada. Quando ela trabalhou seus conflitos internos, recuperou a autoimagem e a seguir a imagem corporal. O coitado do cabelo deixou de ser massacrado, com tantas tintas e cortes, recuperou seu papel como apenas uma parte na imagem corporal.