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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Personalidade e Papéis

De modo geral um Espírito de evolução mediana quando reencarna esquece a personalidade anterior, ou seja, a pessoa que foi na reencarnação anterior e as várias reencarnações que já viveu. O Espírito mais evoluído tem mais domínio sobre si mesmo podendo lembrar-se de várias vidas. Para algumas pessoas as lembranças servem de provas ou de expiação, a fim do sujeito não esquecer os erros passados e se esforçar para acertar. Ainda há pessoas que as lembranças servem de estímulo no empreendimento evolutivo. Lembrando ou não do passado, a existência atual é influenciada pelas personalidades que fomos anteriormente, aparecendo em forma de aptidões, tendências, conflitos, etc.
Ao reencarnar vamos assumindo novos papéis influenciados pelos papéis anteriores (das vidas passadas). Pense em um indivíduo que na vida passada foi uma pessoa insociável, vivia do trabalho para casa, sem amizades, introspectivo... Ele vestiu o papel do “prefiro ficar sozinho no meu canto, sou mais feliz” e pouco fez para mudar. Na vida presente ele reencarna em um ambiente afetivo, amistoso, com uma mãe psicóloga, psicodramatista e um pai que é professor universitário. Como se vê são pais bem sociáveis, lidam com muitas pessoas, são intelectuais, portanto um ambiente familiar favorável ao bom desenvolvimento. Apesar de o filho receber estes estímulos positivos dos pais: afeto, sociabilidade, comunicabilidade, intelectualidade, prazer em ler, etc., ele não vai conseguir assimilar todo esse material, filtrando boa parte por falta de possibilidade de perceber e assimilar. Haverá uma mescla entre a personalidade anterior: sem amizade, introspectivo, insociável e a personalidade atual criada em um ambiente amistoso, resultando em uma pessoa que se dá bem em ficar sozinha, mas que quando está em um grupo participa se relaciona, mas não é o seu forte. Alguém poderia questionar se esta pessoa ao desencarnar, na vida espiritual não poderia trabalhar para superar seus conflitos e limites? Sim, é claro que sim, depende dele se esforçar para melhorar, mas ele o faz?
Os papéis sociais podem enriquecer ou atormentar a personalidade, veja alguns exemplos:

Papéis positivos

  • pai/mãe – vai aprender a amar, cuidar, prover, educar, doar-se...
  • gestor – vai aprender liderar, trabalhar em grupo, buscar resultados...
  • vencedor – aprende a ir atrás de seus sonhos, é determinado, estudioso...

Papéis negativos
  • vítima – só comigo acontece estas coisas, nada muda na minha vida...
  • doente – vive em função dos medicamentos e dos médicos
  • perfeccionista – tem que ser o melhor, precisa acertar todas...


Tanto os papéis positivos como os negativos podem atormentar se o indivíduo se identificar com ele, é como se a pessoa ficasse grudada no papel. Por exemplo, o papel de mãe pode ser nutritivo quando ela dá amor e coloca limites, ensina e deixa o filho fazer o que está ao seu alcance. Uma mãe neurótica sobrecarrega o filho de preocupações e atividades, uma mãe superprotetora não deixa o filho fazer nada, faz tudo por ele. 

domingo, 4 de maio de 2014

Você está esperando o quê?

Muita gente passa pela prova da dúvida sobre a imortalidade da alma e da reencarnação. Para elas, a esperança não vai além da vida presente. A incerteza é desconcertante.
Por outro lado, muitos espíritas que já são convictos de sua imortalidade e de sua trajetória reencarnatória, ainda cultivam o homem velho com seus caprichos, exigências, vícios, intransigência, etc., justificando que ainda são humanos. O Espiritismo não nega a nossa humanidade e nem o nosso grau evolutivo. Mas os conhecimentos que ele nos trouxe e revelou, são convites para a melhoria pessoal e social, caso contrário para que serviriam tais conhecimentos? Quanto a justificativa acima que somos seres humanos ainda falhos, não devemos esquecer que também somos “inteligentes” e possuímos discernimento para distinguir e escolher o que é melhor e ético.
Como somos imortais e tivemos milhares de existências, é natural que temos impulsos e hábitos automatizados de experiências anteriores que parecem fazer parte de nossa personalidade, quando nos propomos a superá-los é difícil e algumas vezes parece impossível. No entanto, com o treino contínuo de não mais repetir um pensamento ou um comportamento prejudicial como a intolerância ou o uso de bebida alcoólica vamos superando-os, e, ao mesmo tempo, exercitando e conquistando outras qualidades como a tolerância e a calma. É inevitável que esse processo de melhoria exige empenho, esforço, abrir mão de algumas coisas, paciência... Para servir de ilustração, uma pessoa que queira se graduar em Psicologia, não basta apenas desejar e já será um psicólogo. Ela precisará estudar para fazer o vestibular, quando entrar na universidade vai assistir muitas aulas, fazer trabalhos e apresentá-los, deverá cumprir determinando tempo de estágio, deverá ler muito, etc. Quando terminar a graduação, é apenas um iniciante que precisa de cursos de aprimoramento, de especialização, pós graduação, mestrado, doutorado... Assim, a mudança de padrões de pensamentos, de emoções e de comportamento exige empenho, sem neurotizar a transformação pessoal. No livro Roteiro, Emmanuel sintetiza esta incoerência entre o conhecimento e o adiamento da prática:

Em verdade, meu amigo, terás encontrado no Espiritismo a tua renovação mental.
O fenômeno terá modificado as tuas convicções.
As conclusões filosóficas alteraram, decerto, a tua visão do mundo.
Admites, agora, a imortalidade do ser.
Sentes a excelsitude do teu próprio destino.
Mas se essa transformação da inteligência não te reergue o coração com o aperfeiçoamento íntimo, se os princípios que abraças não te fazem melhor, à frente dos nossos irmãos da Humanidade, para que te serve o conhecimento? Se uma força superior te não educa as emoções, se a cultura te não dirige para a elevação do caráter e do sentimento, que fazes do tesouro intelectual que a vida te confia?

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Conteúdos Superiores


Na mensagem “Anencefalia” de Joanna de Ângelis, constante neste blog, a benfeitora fala algo em determinado trecho da missiva que achei surpreendente para o conhecimento psicológico. A referida citação é a seguinte: Desequipado (o ser humano) de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança... Este é o trecho que quero discorrer, implícita ou explicitamente, tem informações preciosas para compreender as qualidades humanas.

sábado, 3 de abril de 2010

Ficha cármica

A ficha cármica contem os débitos e os créditos resultantes das experiências físicas e extrafísicas que compõem nosso processo evolutivo. Não temos experiência em avaliar os débitos e os créditos de forma imparcial, levando em conta os agravantes e os atenuantes. O autoconhecimento tão descuidado seria uma ferramenta muito útil nessa aferição. A diferença entre o débito e o crédito gera o saldo evolutivo ou a conta cármica. Quem tem mais débitos está piorando sua situação, gerando compromissos e perturbações. Por outro lado, quem acumulou mais créditos está saldando seus débitos, melhorando sua vida, gerando merecimento e ficando mais equilibrado.
Avaliando nossa personalidade dá para ter uma idéia se temos mais débitos ou mais créditos e se estamos mais ou menos conscientes de nossa evolução. Por exemplo, você tem controle sobre suas emoções ou é controlado por elas? Você é organizado ou desorganizado? Você consegue levar avante seus projetos ou é um colecionador de derrotas? Você é uma pessoa determinada ou indecisa? Você discerne o que precisa fazer ou é confusa? Você é confiante ou inseguro? Você é equilibrado ou desequilibrado? Você é reencarnacionista ou adepto da vida única? Você é altruísta ou egoísta? Como você se encontra?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Perda de tempo

Você já pensou que gastamos 1/3 de nossas vidas dormindo? Dormir é importante, ajuda a repor as energias e a recomposição pessoal. Enquanto o corpo dorme e o espírito se liberta do corpo, será que fazemos alguma coisa útil na vida espiritual? Para ter uma idéia do que fazemos fora do corpo, basta analisar como é nosso cotidiano. As características marcantes de nossa personalidade se apresentam dentro e fora do corpo, o que fazemos explícita ou implicitamente aqui, lá não vai ser muito diferente.
Se não vejamos:

o   quanto tempo gastamos lendo um livro desinteressante, só porque já começamos a ler, vamos até o fim?
o   quanto tempo gastamos vendo um filme sem graça?
o   quanto tempo gastamos vendo uma novela que não sai daquilo?
o   quanto tempo gastamos com preguiça que cansa mais?
o   quando tempo gastamos com encontros ou bate-papo desagradáveis?
o   quanto tempo gastamos com reclamação?

Se as leituras e os filmes fossem mais nutritivos, as novelas mais enriquecedoras, a preguiça um descanso produtivo, os encontros e bate-papos divertidos e construtivos, e a crítica uma atitude proativa tudo seria melhor. Não haveria aquela idéia de tempo perdido e nem a impressão de que falta fazer alguma coisa que não sabemos o que é. Se na questão do tempo você se baseia nas pessoas imaturas que não acordaram para a vida e pensam que a Terra é um parque de diversão, então o quadro acima vai parecer “normal”. Se você já despertou, então vai perceber que tudo aquilo pode distraí-lo do essencial: evoluir!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Programa de rádio do dia 15/01/10

Narcisismo
Para que tenhamos saúde psicológica precisamos nos amar como propôs Jesus – 1º mandamento: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Quem não se ama tende a seguir modelos externos, estranhos, e a se maltratar. Porém, quando esse amor a si mesmo é exagerado e em detrimento do próximo, algo está errado. A psicanálise conceitua o narcisismo como o amor demasiado dirigido a si mesmo, em vez de ser dirigida a outra pessoa do sexo oposto. O narcisista sempre busca elogios, admiração, alimenta-se do interesse alheio. Os outros servem somente para afirmar sua personalidade.
A explicação psicológica para o narcisismo gira em torno da infância sem afeto, maus tratos, etc. É fato que essas condições podem afetar a criança, mas não é só isso. No paradigma espírita, a criança é um espírito imortal, pluriexistencial, com uma história longa que lhe moldou a personalidade que é. Ao reencarnar infunde na personalidade nascente os traços marcantes de sua história, que pode se sobrepor a influência parental e social, quando evoluída, ou se submeter a tais influências por conta de suas tendências e fragilidades, quando imatura. Por isso, o narcisista não teve sua configuração estabelecida exclusivamente na experiência infantil, a carência, os maus tratos, foram os catalisadores. O narcisista vivenciou personalidades cujas experiências de admiração, beleza, poder, centro das atenções lhe marcaram. O oposto também pode ter ocorrido, como as experiências de desprezo, rejeição, abandono, geradores de tormentos, podem tê-lo levado a buscar a compensação por meio do poder, do dinheiro... Sua autoavaliação exagerada, distorcida o fez acreditar que é especial, diferente – ele vive enganado!