Mostrando postagens com marcador Bem-estar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bem-estar. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Saborear a Vida

Nossa cultura está tão impregnada de dor e sofrimento que parece ser a única realidade da nossa existência. Somos treinados a perceber mais o sofrimento do que os momentos bons. As propagandas dos laboratórios mostram como se manifestam determinadas doenças e qual o medicamento comprar, induzindo a automedicação. Os parentes e amigos têm suas receitas pessoais para quase tudo. Hoje a internet disponibiliza várias informações sobre o princípio ativo, os efeitos colaterais e preço dos medicamentos.
Quantas propagandas você conhece que ensinam a ficar alegre, esperançoso, otimista, calmo? Não me refiro àquelas propagandas mentirosas que dizem que se você comprar o produto deles será mais feliz, realizado e por aí afora.
Na sociedade de consumo a alegria custa muito caro porque depende do produto, da marca, da viagem inesquecível e, o principal, o imprescindível dinheiro.
Aprendemos que a dor é onipresente e a felicidade é comprada, ficando distraídos da apreciação e da vivência das experiências boas, gostosas, saborosas e gratuitas. Precisamos romper com esse esquema alienante que nos afasta das experiências simples e profundas, plenificadoras do existir.
Como não aprendemos a fruir as boas experiências, que alimentam, saciam, temos a impressão de não ter vivido, de estarmos vazios; por isso, estamos sempre com pressa, correndo, ansiosos tentando saciar a vida. Com essa correria e ansiedade, quando defrontamos a boa experiência, ela passa sem ser saboreada.

O que é saborear? Segundo o dicionário Houaiss é:
·        apreciar o sabor de; degustar lentamente, com prazer
·        experimentar deleites; regozijar-se, deliciar-se

Precisamos aprender e treinar a saborear as experiências para nos apropriarmos delas, sentindo a satisfação, o saciamento.
Enquanto escrevia esse artigo, parei para comer. Preparei um pão com manteiga, estava uma delícia. Saboreei o gosto do pão e da manteiga separadamente e conjuntamente. Ao mesmo tempo apreciava um vaso com plantas que minha mãe plantou há mais de 10 anos. Essas experiências foram gostosas, me fizeram bem! Não é preciso estar em Paris ou dentro de um carro importado para fruir bons momentos. Você pode saborear os mais diversos acontecimentos do seu dia a dia, como:

·        o abraço de um amigo
·        tomar café
·        andar descalço na grama
·        receber uma ligação
·        dizer que ama alguém
·        sentar-se numa praça
·        ler um bom livro
·        dar uma gargalhada
·        ir em um aniversário
·        matar a vontade de uma comida
·        o sorriso de alguém

Isso é tão complicado?
São acontecimentos raros?
Quantas dessas fontes de bem estar, alegria, gratidão, amizade, distração foram jogadas fora porque estávamos reclamando, cobrando, brigando? Assim, ficamos desnutridos de vida, de alegria, de riso, de espairecimento...

O que você está saboreando?

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ruptura com o paradigma da doença

Os assuntos: doença, dor, sofrimento, conflito, perturbação, morte, etc., são tão falados, discutidos ou negados que parecem inerentes ao ser humano. A ciência pesquisa mais a doença do que a saúde. Houve uma época em que se pensava que a saúde era a ausência da doença. Essa polarização em torno do sofrimento humano parece necessária por condizer com o nível de consciência ou de desenvolvimento da humanidade. O cientista pesquisa aquilo que é mais urgente, emergente e manifesto, como é a doença. O distúrbio de um órgão é manifesto e sentido pelo sujeito, como no caso de um tumor; a confusão e o estresse são visíveis no comportamento e no corpo. A ciência estuda esses temas, como outros tantos, a fim de aumentar o conhecimento sobre eles para remediar e prevenir. Pesquisar sobre saúde, bem-estar, felicidade, alegria, otimismo parece algo utópico e distante. A doença surge da alteração de um órgão, de uma infecção, etc. E a saúde, a alegria, a confiança, o bem-estar de onde vem?
O paradigma da doença está tão impregnado em nossa vida e em várias áreas do conhecimento, que obsta pensar em saúde e equilíbrio sem o seu estorvo. O progresso e os benefícios da ciência esclareceram muitas coisas, minimizou muitas dores, mas ainda não resolveu o sofrimento e o vazio existencial. Será que a ciência deve buscar somente equacionar a doença, a dor, o sofrimento para melhorar a condição humana? Investir no bem-estar, na autoestima, na autoconfiança, na alegria, na espiritualidade, nas boas relações, no afeto, no ambiente de trabalho prazeroso, na boa alimentação, na condução não estressante não seriam coadjuvantes ou os protagonistas da saúde integral? Esta é a proposta de Abraham Maslow quando afirma que 
“...é como se Freud nos tivesse fornecido a metade doente da Psicologia e nós devêssemos preencher agora a outra metade sadia. Talvez essa Psicologia da Saúde nos proporcione mais possibilidades para controlar e aperfeiçoar as nossas vidas e fazer de nós melhores pessoas. Talvez isso seja mais proveitoso do que indagar “como ficar não-doente”. 
A doença e o sofrimento têm prazo de validade, estão com os dias contados, não são inerentes ao ser humano e sim ao nível de imaturidade evolutiva. Com a imaturidade prevalece a imoralidade, o egoísmo, a impulsividade, o desejo imoderado, o orgulho, a vaidade, etc., motivos de disputa, de intriga, de ódio, de inveja, de revolta, de intolerância... Já, com o amadurecimento, a pessoa se torna mais ética, moderada, amistosa, altruísta, modesta, tolerante, sociável, alegre, prevalecendo o discernimento.

Consulta:

Maslow, H.M. – Introdução à Psicologia do Ser